 |

Praia
Vermelha
Série "Aqui".
Trabalho pessoal.
Caneta esferografica sobre papel
29,7 x 21 cm
Rio de Janeiro 2005-2006
|
.gif) |
.gif) |
CRÔNICAS
CARIOCAS
Claudia Moreira
Salles
Designer
Um cronista e um
dramaturgo se dirigiam ao centro da cidade. É um trajeto
quotidiano. Ainda assim, o cronista para o carro diante do Pão
de Açúcar e exclama : " você já viu paisagem
mais extraordinária ? O amigo responde : "isso é o
óbvio ululante ! ". Cunhou-se ali a expressão que se
tornaria para os cariocas e para o resto dos brasileiros, o termo para
descrever aquilo que não se discute.
Os contornos da cidade são irresistíveis para aqueles hábeis
no traço e nas tintas. Os viajantes das várias expedições
do século XIX retrataram de todos os ângulos as várias
montanhas que desenham a cidade. As formas livres das lajes e paredes
curvas de Oscar Niemeyer são
inspiradas na geografia da cidade onde nasceu. Mas outros se encantaram
com as ruas e as cenas da vida quotidiana.
Paulo Mariotti nasceu na Bahia, morou em São Paulo e hoje vive
e trabalha em Paris. Gosta de retratar os lugares com os quais construiu
uma relação afetiva. O Rio o conquistou e tem poucas chances
de ser superado. Paulo resistiu em retratar o óbvio ululante. Talvez
pelos anos
passados em Paris, tornou-se um " flâneur " sensível
e meticuloso. Suas
cenas da vida carioca são construídas à partir de
detalhes delicados que
revelam o espírito da cidade : o olhar amável e orgulhoso
de seu ofício do garçom do Albamar; a garota do Leblon que
vem e que passa e o final de tarde preguiçoso na praia Vermelha.
Paulo usa caneta esferográfica azul sobre papel Canson o que remete
aos azulejos que coloriam as fachadas da cidade colonial e ao retratar
o Pão de Açúcar, escolhe colocar em primeiro plano
a visão da pista de pouso do menor aeroporto a servir uma grande
cidade. O Santos Dumont é a primeira emoção de quem
chega. Aí, Paulo Mariotti nos dá mão e nos mostra
o Rio.
|
|